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sábado, 10 de dezembro de 2011

Um por de sol numa tarde qualquer

Como os últimos raios de sol
Te vejo partindo
Deixando mais um dia virar noite

E despedaçada fico a juntar meus pedaços
Tentando segurar os últimos raios que passam por entre as nuvens
Prendendo-os em um copo
Como se fosse assim tão fácil

E como os raios de sol
Bem sei que amanhã poderá não aparecer
E mesmo que surja, 
Lançar-se-á por toda a relva
E logo ao entardecer, de novo se vai

E por que me encantar com algo que esvanece
Assim, tão comumente
Da mesma forma que vem, se vai

Se é a noite que preciso da paz
e da alegria que teu brilho me dá
Mas se não estará lá
Nunca estará lá
Impossivelmente, estará lá

E fico como a lua a te venerar
Em poucos momentos quando nos encontramos no céu
Onde, impossivelmente meu brilho será maior que o seu
Ficarei ali, quieta, tímida a esperar o impossível

Que enfim, quando eu possa ser eu mesma
Te tenha pra me venerar

O que nunca acontecerá
Pois nossos horários de esplendor destoam
Nossas rotinas se contradizem
Nossas cores e brilho não conseguem se contemplar

E assim permaneço
A tentar solucionar o que não tem solução
Um veneno sem antídoto
Uma febre sem cura
Um sentimento que não cabe
Pois não há espaço para acontecer

Não há cenário
Não há personagens
Não há lua e sol no mesmo espetáculo

E como sol que és
Continuas a brilhar e se esgueirar por entre as nuvens
Sempre tentando tocar a relva, as árvores, os telhados das casas
E como lua que sou
Apareço timidamente na maioria dos dias
E guardo meu melhor pra poucos
Que conseguem me apreciar

Maria Sozza


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