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sábado, 10 de dezembro de 2011

Um por de sol numa tarde qualquer

Como os últimos raios de sol
Te vejo partindo
Deixando mais um dia virar noite

E despedaçada fico a juntar meus pedaços
Tentando segurar os últimos raios que passam por entre as nuvens
Prendendo-os em um copo
Como se fosse assim tão fácil

E como os raios de sol
Bem sei que amanhã poderá não aparecer
E mesmo que surja, 
Lançar-se-á por toda a relva
E logo ao entardecer, de novo se vai

E por que me encantar com algo que esvanece
Assim, tão comumente
Da mesma forma que vem, se vai

Se é a noite que preciso da paz
e da alegria que teu brilho me dá
Mas se não estará lá
Nunca estará lá
Impossivelmente, estará lá

E fico como a lua a te venerar
Em poucos momentos quando nos encontramos no céu
Onde, impossivelmente meu brilho será maior que o seu
Ficarei ali, quieta, tímida a esperar o impossível

Que enfim, quando eu possa ser eu mesma
Te tenha pra me venerar

O que nunca acontecerá
Pois nossos horários de esplendor destoam
Nossas rotinas se contradizem
Nossas cores e brilho não conseguem se contemplar

E assim permaneço
A tentar solucionar o que não tem solução
Um veneno sem antídoto
Uma febre sem cura
Um sentimento que não cabe
Pois não há espaço para acontecer

Não há cenário
Não há personagens
Não há lua e sol no mesmo espetáculo

E como sol que és
Continuas a brilhar e se esgueirar por entre as nuvens
Sempre tentando tocar a relva, as árvores, os telhados das casas
E como lua que sou
Apareço timidamente na maioria dos dias
E guardo meu melhor pra poucos
Que conseguem me apreciar

Maria Sozza


Caminho estranho

Te estranho ...
Estranho demais
Talvez porque as coisas acontecem de forma estranha
Vou me deixando levar ...


Tento sempre controlar
Esse sentimento estranho
E é estranho,
pensar que pra você não é estranho
É até comum demais
Vou me deixando levar...


Já me perco por esse caminho estranho
E cada vez mais perdida estou
Me deixo levar ...


Como se conhecesse já o fim dessa história tão estranha
Mas sem conhecer nada, achando tudo estranho
Me deixo levar ...


Tenho medo, receio
Afinal, é comum o medo do estranho
Não sei lidar com tal sentimento
E tento deixá-lo sempre lá fora, para continuar como um estranho


Mas aos poucos, me sinto tão estranha
Idiota, perdida e sem rumo
E pra você nada é estranho ...
E me pergunto: por que me deixo levar?


E mesmo se eu resolver definitivamente essa história tão estranha
Será que sentirei falta?
Mesmo do que nunca foi?
Será que um dia pensarei: 
Sim, te extraño


Maria Sozza



domingo, 16 de outubro de 2011

A liberdade da loucura


Mais me agrada a liberdade da loucura
à prisão da sanidade
Como doem as correntes que não me deixam ser livre
De conceitos, de pré-conceitos, e de outras tantas determinações
Mas o que os outros vão pensam?
Como vão me tratar?
Se de repente, eu resolver gritar
Falar atravessada a primeira resposta que vier à mente
Se de repente, eu for suave como uma pluma
E cair pesada sobre suas cabeças
Mas o que eu mesma vou pensar?
Como vou me tratar?
Se amanhã eu descobrir que aquilo que fiz hoje já não me agrada mais
E tudo que fiz me envergonha profundamente
São tantas eus a se estapear dentro de mim
Que às vezes mal posso saber quais delas se expressam
Comigo mesma, aqui fora
Mas, numa coisa todas elas hão de concordar
Seria tão mais fácil falar aquilo que entala na garganta
Largar tudo pra trás e me mandar pra onde eu bem quero
Junto de quem quero estar nesse momento
Sem o peso do arrependimento
Sem a preocupação do mal-estar
Sem a responsabilidade ...

Maria Sozza

sábado, 15 de outubro de 2011

Acho


Quase sempre tenho a impressão de que estou muito aquém do que tu gostarias que eu fosse
Tão infantil
Imatura
Inexperiente
Orgulhosa
Egoísta
Deprimente...
Quase sempre me pergunto se um dia poderei mudar
Mas se eu mudar não serei mais eu mesma
Então por que mudar?
Acho que sempre tentas me comparar com as mulheres ideais, fortes, guerreiras, inteligentes e companheiras que vivem no mesmo mundo que o teu
Mas por quê?
Não adianta querer me moldar
Nunca vou mudar
E se achas que sim,
Lamento informar
Mas essa eu que (eu acho) queres enxergar nunca existiu, nem nunca existirá.

Maria Sozza

É tanto por tão pouco


É tanta luta por pouco ganho
É tanta escolha por quase nada
É tanto sacrifício por pouco sucesso
É tanta lágrima pra pouco colo
É tanto desespero pra pouca calmaria
É tanta bobagem por pouca valia
Tudo isso é pouco

Maria Sozza 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Como um rio que desemboca no nada

Foi assim,
durou pouco
Como uma chama acesa
Tão rápido se ergueu
E logo cessou
Se o sentimento antes era de um jeito
Agora causa repulsa e não te quero mais por perto
O encanto logo se quebrou
E viva novamente estou!


Maria Souza

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Âncora

Falaste um dia que nada é por acaso
Há tempos que não acredito em destino
Mas foste chegando, sorrateiramente
E como se não bastasse, me levaste para ver o mar
Mal sabia eu que o mar que via, não era só o mar
Mas meu próprio mar interior
Um oceano profundo, bravo e assustador
Despertaste um redemoinho há muito adormecido
Certamente não foi tua intenção
Muito menos a minha, acredite!
Minha âncora andava presa bem lá no fundo
Tão segura que nada poderia tirá-la de lá
Mas parece que mergulhaste e foste lá buscá-la
E como quem pouco se importa,
Soltaste minha âncora 
E agora não a acho
Perdida estou
Buscando desesperadamente resgatá-la
E tu?
Nem ao menos sabes o que fizeste
Afinal, é tudo tão habitual...
Mais uma tarde, mais uma praia, mais um mar
Apenas uma âncora